quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Talvez, neste Natal

 

TALVEZ, NESTE NATAL 



Talvez este Natal nos anoiteça,

por momentos nos mergulhe

em águas fundas

e nos faça descrer do mundo que ideámos.


Mas talvez uma semente luminosa, 

chegada essa hora cor de terra, 

consiga germinar

no ileso fulgor duma lembrança.


Talvez ela dê fruto num sorriso, 

num gesto quase irmão,

num olhar de súbito sem sombra;


ou talvez se transforme em velho estábulo, 

em árvore luzente ou numa estrela

para guiar amanhã os nossos passos.



2020


Texto por João Pedro Mésseder 



A equipa da Inocência Descompensada deseja a todos os nossos leitores um Feliz e Santo Natal.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

A Musa Irregular, de Fernando Assis Pacheco: um belo presente de Natal


Um grande livro de poesia, unanimemente saudado, em vários momentos, é A Musa Irregular: edição aumentada (Tinta da China, 2019), de Fernando Assis Pacheco (1937-1995), com um excelente posfácio, arguto e iluminador, de Manuel Gusmão, e edição, rigorosa, da responsabilidade de Abel Barros Baptista. Inclui, como o subtítulo indica, textos que antes não figuravam em livro.


Além de notável jornalista, crítico e tradutor, Fernando Assis Pacheco foi poeta de excepção (ainda que o tenha sido em «tom menor», como assinala Gusmão) e novelista bem singular, quer em Walt (1978) quer na obra-prima Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993). Da geração de Manuel Alegre, Rui Namorado, António Manuel Lopes Dias, José Carlos de Vasconcelos, José Manuel Mendes (que no espaço coimbrão tiveram uma das suas matrizes literárias), foi talvez a voz poética que de modo mais intenso e dramático abordou a Guerra Colonial, e o consequente medo da morte, mas ao mesmo tempo foi lírico de inegável finura e rigor de expressão, além de voz satírica, de sentido de humor indeclinável (mesmo quando tocado pela amargura) e de peculiar criatividade linguístico-discursiva. 

Não é possível esquecer tal voz nem os seus poemas sobre a prisão política. Assis Pacheco foi um poeta que, além do mais, não quis dissociar escrita e vida (no fundo o tema maior da sua poesia) e que não se tomava demasiado a sério, sendo capaz de inteligentemente rir de si mesmo. Como nos rimos nós também – ou pelo menos sorrimos, quando não choramos – ao ler esta poesia que não faz lembrar nenhuma outra, e que proporciona um prazer de leitura que é tudo menos comum. 

 

José António Gomes

 

IEL-C (Núcleo de Investigação em Estudos Literários e Culturais da ESE do Porto)

 

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Companhia (I)limitada, de João Pedro Mésseder

Companhia (I)limitada é uma recolha de mais de duas dezenas de poemas, editada numa nova colecção da Página a Página, cujo nome é todo um programa: "Des-confina-mente". Marcados pela variedade formal, entre o longo e o muito breve, os poemas de Mésseder aludem criticamente a realidades sociais diversas, muitas delas dolorosas e politicamente perigosas, que a pandemia do COVID-19 agravou, nos planos nacional e internacional. Contra a epidemia do medo e a retórica do isolamento, contra as tentativas de silenciar o protesto e a reivindicação, estes versos deixam no ar uma nota de esperança, que se pode ler nos poemas "Prece" ou "Quando isto um dia passar". Poesia, em suma, para manter a mente desconfinada, como o nome da colecção sugere.

 

Revista Diagonal, 3.ª série, n.º 5, Novembro de 2020, secção Sugestões de Leitura. 

 

 

(…) Poemas da pandemia, a companhia que se torna ilimitada, pela resistência poética que nasce do saber, que, mesmo  num mundo rarefeito, por pouco mais que tenhamos, temos ao menos as palavras: e que podemos fazer delas sempre outras. Há sempre a hipótese de aduzir uma errata ao mundo, como no poema final. Um livro em que se transformam os tempos da pandemia verdadeiramente em resistência poética. (…)

 

Rita Taborda Duarte, 2020


O livro Companhia (I)limitada pode ser adquirido aqui.




terça-feira, 20 de outubro de 2020

Nos 100 anos de Castrim, um “novo” livro: Novelas

                                                Mário Castrim, Ria de Aveiro, 1968

Comemora-se, este ano, o centenário do nascimento de Manuel Nunes da Fonseca (Ílhavo, 31 de Julho de 1920 – Lisboa, 15 de Outubro de 2002), que usou o pseudónimo Mário Castrim, tendo sido escritor, jornalista, conhecido crítico de televisão (antes e depois do 25 de Abril de 1974), professor, e tendo alcançado merecido reconhecimento enquanto original autor de livros para a infância e a juventude. Várias efemérides, aliás, têm assinalado a comemoração dos seus 100 anos – mas, vá-se lá saber porquê, não se espere encontrar matéria publicada, ou áudio, nos media dominantes, mesmo nos media culturais. Esses mesmo media que têm aliás ignorado outros centenários importantes, como os de Mário Sacramento ou de Sidónio Muralha, igualmente assinalados este ano. 

Além de estimável, por vezes surpreendente (e militante) poeta (por exemplo em Do Livro dos Salmos (2007) ou em Mais Poemas do Avante! (2020), recolha recentemente publicada pelas Edições Avante!),  Mário Castrim foi um prosador/contador de muito mérito. Evidenciam-no as suas narrativas para jovens O Cavalo do Lenço Amarelo É Perigoso (1971), emblemática parábola sobre o direito à vida e à liberdade, O Caso da Rua Jau (1994), em torno da escola anterior ao 25 de Abril e da escola já em democracia, ou ainda Váril, o Herói (1994), misto de romance de aventuras e de conto maravilhoso tradicional de matriz mitológica que, declinando a condição todo-poderosa dos deuses, afirma a vontade humana de viver uma existência plena. E estes são apenas alguns exemplos dos seus livros em prosa.

 

Ora é, justamente, em torno do «ofício de viver» (vou buscar o título de Pavese) e de sobreviver, das voltas do amor e do desamor, dos conflitos relacionais, dos muitos e diversos quotidianos lisboetas, é em torno disso e de muito mais que se movem as prosas de Novelas (Página a Página, 2020) – recolha de textos curtos, não raro bem-humorados, como era timbre de Castrim, saídos, no final da década de 90, no jornal 24 Horas. 

 

O título é um pouco ludibriador, pois aqui o sentido de novela não remete propriamente para aquele género narrativo tradicional de todos conhecido, mais longo que o conto, menos extenso que o romance, mas sim para um certo sentido comum e popular do termo, quando, a propósito dum enredo, dum novelo amoroso ou doutro tipo, que se estende no tempo e evoca episódios telenovelescos, dizemos algo como: «Ui, foi cá uma novela!». 

 

Trata-se portanto de 145 narrativas breves mas não superficiais, de leitura prazerosa e fácil, situadas entre o conto e a crónica jornalística inspirada no real quotidiano, conjunto a que não falta sequer um episódio da clandestinidade comunista de meados da década de 60 e outras alusões à condição militante do autor. 

 

É isto o que Novelas essencialmente nos propõe. Em boa hora, pois, se resgatou este conjunto de textos à efemeridade do jornal e se lhe conferiu a dignidade, merecida, do volume impresso. A maneira ideal de comemorar o centenário de um antifascista e democrata, de alguém que sempre se preocupou ao longo da vida em estimular o pensamento crítico, e de um poeta e prosador de méritos reconhecidos. 

 

 

José António Gomes

 

IEL-C – Núcleo de Investigação em Estudos Literários e Culturais da ESE do Porto

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Louise Glück (n. New York, EUA, 1943) – Dois poemas da Prémio Nobel da Literatura 2020

 






 

 

 

Confissão

Dizer que nada temo

seria faltar à verdade.

A doença, a humilhação

assustam-me.

Tenho sonhos, como qualquer pessoa.

Mas aprendi a ocultá-los

para me proteger

da plenitude: a felicidade

atrai as Fúrias.

São irmãs, selvagens,

que não têm sentimentos,

apenas inveja.

 

 

Primeira recordação

 

Há muito tempo fui ferida. Vivi

para me vingar

do meu pai, não

por aquilo que ele era

mas pelo que fui eu: desde o começo dos tempos,

na infância, acreditei

que a dor significava

que eu não era amada.

Significava que eu amava.

 

 

 

Versão portuguesa: José António Gomes

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Paco Ibañez: o que a muitos revelou o que é a poesia


Em 2019, celebrou-se um aniversário bem especial: os cinquenta anos da inesquecível actuação de Paco Ibañez no Olympia, de Paris, a 2 de Dezembro de 1969, um ano e tal após o Maio de 68. A recente reedição do disco Paco Ibañez en el Olympia (Paris) tornou-se, por isso, um acontecimento.

Sobre o enorme Paco Ibañez explore-se o seu bem organizado sítio oficial na Internet e leia-se o que Saramago e outros acerca dele disseram.  Detestado pelo franquismo, pelas direitas e pelo corrupto PP, tolerado (mas mal) pelo PSOE, Paco Ibañez é das figuras maiores da cultura ibérica (eu diria europeia). É aquele que a muitos revelou o que era a poesia e, sobretudo, a grande lírica de língua castelhana, que ele musicou e cantou como ninguém: Góngora, Quevedo, Arcipreste de Hita, Jorge Manrique, Machado, Lorca, Hernández, Alberti, Cernuda, Celaya, Léon Felipe, José Agustín Goytisolo, Blas de Otero, Gloria Fuertes, o cubano Nicolás Guillén, o chileno Neruda e muitos, muitos outros – basta consultar a impressionante antologia de poemas em língua castelhana noutras línguas a que o génio do compositor/cantor/guitarrista valenciano deu inigualável moldura musical e voz.  

Não foram poucos os que, graças a Ibañez, começaram a conhecer a riqueza do Romanceiro popular espanhol, a poesia do Siglo de Oro (séculos XVI-XVII: Quevedo, Góngora…) ou as poéticas das Gerações espanholas de 98 (Machado, por exemplo) e de 27 (Lorca, Alberti, Cernuda…) – sobre as quais haveriam de tombar os espectros da Guerra Civil, da perseguição e do exílio. Mas o cantor foi, ainda é, excepcional veículo de divulgação de muitos daqueles poetas que ao franquismo se opuseram nos anos de brasa: décadas de 40 a 70 do século XX (como Celaya ou Goytisolo). Alguém que veio pôr em evidência a nobreza e grandeza estética do canto de luta e de protesto, dando a ver a criação poética como o acto de rebeldia que também é.

Leitor admirável de poesia, Paco Ibañez constitui a síntese genial de uma voz de timbre único e de um notável talento de compositor de canções e de tocador de guitarra, bem como de adequação da estrutura melódica ao conteúdo e ao perfil formal do poema, sem descurar o seu registo próprio, seja ele mais trágico, mais satírico ou mais interventivo. 

Nas suas canções cruzam-se tradições e veios diversos: Georges Brassens (a quem Paco chama o J. S. Bach dos cantautores), a ‘chanson’ francesa e a música de intervenção espanhola e sul-americana, o flamenco e o folcore musical ibérico. Filho de republicanos (pai exilado), Ibañez – que conheceu bem a chilena Violeta Parra em Paris, no início da década de 60, como aliás conheceu Luís Cília e admirou José Afonso – converter-se-ia num dos incontornáveis cantautores do nosso tempo, voz rebelde e interventiva, internacionalista e sempre firme no seu afrontamento do fascismo, das forças do capital e do imperialismo, empenhada voz, acima de tudo, na incitação ao sentido crítico e ao amor pela grande poesia.  

Escute-se este jogral dos tempos modernos, por exemplo, em duas das suas canções mais emblemáticas: «Lo que puede el dinero» poema do Arcipreste de Hita (c. 1284-c.1351), e «Don Dinero», de Francisco de Quevedo (1580-1645), que funcionam hoje como certeiras críticas e condenações do capitalismo burguês e dos seus mais perversos efeitos na alma humana.



José António Gomes

CIPEM | INET-md (IPP e UNL) e IEL-C – Núcleo de Investigação em Estudos Literários e Culturais da ESE do Porto

domingo, 30 de agosto de 2020

Sobre a poesia de Domingos Lobo (Quotidianos e Outras Noites)

 

Domingos Lobo possui uma obra já vasta no campo da criação poética: Voos de Pássaro Cego (1998); As Mãos nos Labirintos (2003); Para Guardar o Fogo (2010, Prémio Literário Cidade de Almada 2009); Lisboa, Modos de Habitar (2014); A Pele das Sombras (2011); Os Dias Desarmados (2018); O Rosto em Ruínas(2020); e Quotidianos e Outras Noites, título editado em 2020 pela AJHLP – Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. 

São traços da poética do autor, por exemplo, o fôlego discursivo de muitas composições, bem como a atenção ao outro e a um certo real em que se intersectam a dimensão psicossocial do sujeito e o espaço sócio-económico e cultural em que se move. Com efeito, em vários destes poemas, existe com frequência a ficcionalização de um cenário deste tipo, em especial naqueles, mais extensos, que quase se constituem como monólogos enunciados por personae dramáticas, masculinas ou femininas. 

 

Isto mesmo ocorre em Quotidianos e Outras Noites. Nesta obra, poemas como «Agenda para os dias inúteis» (pp. 11-13), «Monólogo do burguês cansado» (pp. 13-16) ou «Certas mulheres  – 3. Blue velvet» (pp. 19-21) dão voz a diferentes personae: um trabalhador, um pequeno burguês entediado, uma prostituta. Outros exemplos poderiam ser apontados e é evidente que à dimensão dramática destas figuras e dos seus monólogos não é alheia a conhecida vocação dramatúrgica e teatral do autor. Noutras composições, o sujeito poético constrói o retrato vivo de um tipo humano popular, como sucede em «O meu primo» (pp. 49-52) ou «Poema das minhas mulheres tristes» (pp. 43-44) que, juntamente com o mais programático «Vou promover a realidade a coisa que se veja» (pp. 45-48) são dos poemas mais conseguidos do conjunto, no seu primeiro apartado (pp. 9-52). Programático é também, mais adiante, o não menos conseguido poema «Emboscadas» (pp. 82-83), um útil ponto de partida para uma reflexão sobre a poética de Domingos Lobo.

 

A segunda parte do livro, intitulada «e outras noites» (pp. 53-87), é dominada pela disforia e pela perda, mas sem renunciar a uma nota de esperança, por exemplo no curto poema «Fora de horas» (p. 87), de ecos drummondianos mas também neo-realistas, com que termina o poemário: «não declines / nem te ausentes / em subjectivos lastros / cantemos de voz túrgida / mas cantemos / os nossos mortos / não perdoam a cobardia e o silêncio / que teima em algemar-nos». Esta é uma atitude compreensível, parece-nos, num poeta que revela uma visão das coisas gauche e revolucionária – outro elemento nuclear da sua poética. Pois, do mesmo modo que não temos pejo em reconhecer que escritores de grande valor como Almada Negreiros, Pedro Homem de Mello, António Manuel Couto Viana, Agustina Bessa Luís ou Vasco Graça Moura eram estruturalmente vozes de direita – como objectivamente evidencia a sua escrita –, outros como Sidónio Muralha, Maria Lamas, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira, Manuel da Fonseca, Ilse Losa, Eugénio de Andrade, Egito Gonçalves, Luiza Neto Jorge, Saramago, Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta, Mário de Carvalho, Manuel Gusmão, José Vultos Sequeira, Vale Moutinho, Francisco Duarte Mangas ou Ana Margarida de Carvalho constroem expressões autorais de esquerda – aspecto que a concreta produção literária de cada um deles permite ler e que, naturalmente, enquanto traço ideotemático, constitui elemento caracterizador da respectiva poética.   

 

Mas voltemos ao livro de Domingos Lobo. A vida nos subúrbios desumanizados da grande cidade, a exploração do homem pelo homem, o tédio e a solidão, o aparente absurdo da existência, a fadiga (que é também, com frequência, esgotamento dos corpos e do desejo) constituem algumas das linhas temáticas com que se cosem estes versos, sobretudo na primeira parte, intitulada «quotidianos». Já da segunda, são eixos estruturantes a disfunção relacional e a separação do par amoroso, a vibração erótica, a solidão do sujeito e a consciência da finitude, o topos do tempus fugit, mas também a memória na sua ligação ao espírito dos lugares (outro tópico a salientar neste poeta, que dedicou um livro a Lisboa e que insere, no presente volume, dois belos poemas em que o Porto é pano de fundo). Daí o título do segundo momento do livro: «e outras noites».

 

Jacques Brel, João José Cochofel, Manuel da Fonseca, Ruy Belo, Carlos de Oliveira (evocado em «Interpretação pessoal da Guernica de Picasso», pp. 84-86), Fernando Assis Pacheco e Joaquim Manuel Magalhães – de quem é citada a emblemática expressão «Voltar ao real (…)» –, mas também Orlando Neves, Cardoso Pires, Afonso Praça (três autores homenageados no pitoresco monólogo em lisboês cerrado «Subúrbio 2», pp. 29-31) são apenas algumas das vozes (quiçá tutelares, em alguns casos) com as quais a poesia de Domingos Lobo dialoga, através de uma estratégia citacional, mas não só. Certo, no entanto, é que o poeta possui uma mundivisão própria e uma dicção e uma linha imagética igualmente suas, além de uma retórica em que, por exemplo, a frase indutora reiterada e outros processos de anaforização / intensificação lírica revelam especial funcionalidade em termos estruturais e expressivos.

 

Uma palavra final merece o cuidado gráfico posto na edição de Quotidianos e Outras Noites, que se destaca pela capa belíssima da responsabilidade do fotógrafo, cartoonista, capista e escritor Augusto Baptista, com uma ilustração a preto e branco sobre um azul nocturno, gerada a partir de foto sua, e texto aberto a branco. Visualmente, talvez seja este o mais belo volume da colecção de poesia Explicação dos Pássaros da AJHLP.

 

Um par de notas biobibliográficas a terminar. Domingos Lobo (n. 1946), recorde-se, é natural de Nagozela,  Santa Comba Dão. Em 1982 recebeu o Prémio de Melhor Encenador, do Festival de Teatro de Lisboa, distinção que se liga a uma das forças motrizes da sua vida: a actividade teatral, quer como encenador e actor quer como dramaturgo, adaptador de textos para teatro, crítico teatral e de cinema e membro de colectivos de jograis.

 

Director do jornal A Voz do Operário, Domingos Lobo é actualmente um dos poucos colaboradores da imprensa que se dedicam com assinalável regularidade à divulgação crítica, nas páginas do semanário Avante!, no quinzenário As Artes entre as Letras, na Vértice, na Gazeta Literária e noutros periódicos, tendo reunido, por exemplo no volume Palavras que Respiram – 30 olhares sobre a literatura portuguesa (Página a Página, 2016), uma selecção dos seus textos de crítica literária publicados nos últimos anos. 

 

Mas Domingos Lobo é, sobretudo, um autor de ficções e de textos para teatro. No primeiro caso (ficcionalizando amiúde a partir do que foi a sua vivência angolana) editou Os Navios Negreiros Não Sobem o Cuando (1993, Prémio de Ficção Cidade de Torres Vedras), Pés Nus na Água Fria (1997), As Máscaras Sobre o Fogo (2000), As Lágrimas dos Vivos (2005), Território Inimigo (2009) e Largo da Mutamba (2015, Prémio Literário Alves Redol 2013).

No domínio teatral, é autor de Cenas de Um Terramoto (2010), Não Deixes que a Noite se Apague (2009, Prémio Nacional de Teatro Bernardo Santareno) e A Fome dos Corvos e Outros Pretextos Teatrais (2020). 

 

Em síntese, uma obra multifacetada e ampla, que abarca os três modos literários fundamentais e que importa conhecer e reconhecer. 

 

 

José António Gomes

 

IEL-C – Núcleo de Investigação em Estudos Literários e Culturais da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto